Tu que só me viste em fossa, cansada, deitada no meio-fio, sonhando com o sim ou o não, pois a palavra dita vira fato consumado. Eu que estava ali chorosa, a decidir aonde por os pés ao me levantar, para onde meu corpo iria, se ao meio do asfalto em direção ao nada, ou se caminharia por aquelas calçadas, vendo as luzes dos bares que frequentei; procurando só, estar bem tão só, para encontrar-me por fim.
Tu que só viste uma mulher-cárie, que tropeçava em pedras, com seus saltos-altos. Indo a esmagar corações por pura diversão, o que aconteceu é que por falta de carinho perdeu calor o seu próprio coração.
Vós que me vistes assim, tão crua, bem dizer despida, a uma plateia infinita em que se perde meu olhar, deverias me olhar de novo, eu e meu sorriso frouxo a escrever estas tortas linhas, que às vezes rimam com o andar de cima por pura cisma desta pseudo-escritora que deseja dar ar de poema a essas mal escritas linhas para mostrar ao mundo que está de volta, enfim. Que trouxe cicatrizes, mas que são elas que fazem cheirar assim todo o lugar: cheiro de riso descabido, sem juízo, doce e engraçado, como de um pobre palhaço; que um dia foi mas hoje não sabe o ser.